Pathy DeJesus: ‘Falam que eu sou linda, mas sou muito povão’

pathy dejesus mtv

A partir desta semana o “Top 10” da MTV tem uma nova VJ em seu comando. Pathy Dejesus entra para o time de VJs da emissora após anos trabalhando como DJ, modelo e atriz, com passagens pela Rede Globo, SBT e Record. A paulistana de 34 anos assume um dos carros-chefe da emissora com a promessa de ser autêntica e se tornar um “ídolo atingível” para o público jovem.

“As pessoas me falam que eu sou linda, mas eu sou muito povão. Eu falo besteira, falo alto, às vezes escapa um palavrão”, garante ela em entrevista ao iG.

pathy dejesus top 10

Nascida na Zona Norte de São Paulo , Patrícia sempre foi apaixonada por música, por influência do pai, que era DJ nos anos 1970, e isso apenas contribuiu para sua escalação.

“Antes da internet, pra conhecer música tinha que gostar de verdade, e a MTV teve um papel importante nisso”, conta. Jorge Ben Jor , Stevie Wonder , Earth Wind & Fire e Mary J. Blige estão entre seus favoritos e, nos seus sets como DJ, nunca faltam Kendrick Lamar , Jay Z e Criolo .

No posto que um dia pertenceu a Astrid Fontenelle , Sabrina Parlatore e Ellen Jabour , Pathy Dejesus comemora o fato de ser a primeira mulher negra a apresentar o “Top 10”, antigo “ Disk ”, e a segunda na história a fazer parte do time de VJs da MTV — a primeira foi a atriz Adriana Lessa , apresentadora do “MTV Brasil”, de 1993.

“Não lembro do programa da Adriana, mas por terem colocado uma mulher negra pra apresentar o carro chefe da emissora, vejo isso como uma conquista e não tem como deixar passar”, comenta. Leia a entrevista na íntegra:

iG: Como tem sido sua experiência na MTV até então?

Pathy Dejesus: A equipe é parceiraça e está fazendo de tudo e mais um pouco para me preparar. Ao mesmo tempo estou à vontade. Isso é importante porque foi a primeira coisa que me pediram: eles queriam eu, Patrícia, e não uma personagem. Quanto mais à vontade, mais a galera se sente em casa, falando com uma amiga. Eu quero ser autêntica, principalmente porque com esse público, de 14 a 19 anos, não tem como enganar. Eles são exigentes e sabem o que querem. Já a resposta do público me surpreendeu. Não sabia que ia conseguir cativar as pessoas tão rápido. Todos os dias recebo mensagens, todo mundo elogiando.

iG: A MTV Brasil foi importante para formação musical de muita gente que cresceu nos anos 1990 e começo dos anos 2000. O que ela significou pra você?

Pathy Dejesus: Eu lembro do dia em que descobri que pegava MTV em casa. Eu sou um pouco precoce em relação à musica, por causa do meu pai, então sou muito ligada. Antes da internet, pra conhecer música tinha que gostar de verdade, e a MTV teve um papel importante nisso. Quando ela surgiu, eu queria que os VJs fossem meus amigos. A Penélope [Nova], a Sabrina [Parlatore], então é óbvio que marcou. Eu ficava de madrugada esperando passar o Yo!, então pra mim a MTV foi um divisor de águas, a informação era aquilo. Marcou muito.

iG: Tem algum programa em específico que marcou a sua adolescência?

Pathy Dejesus: O Yo! com certeza. Também tinha um programa, mas nao lembro o nome. Eram umas modelos lindas sentadas num Também gostava muito daquele programa de debates com a Astrid, mas me fugiu o nome.

Programa é transmitido ao vivo pela MTV Brasil, de segunda a sexta, às 18h | Foto: Divulgação

Programa é transmitido ao vivo pela MTV Brasil, de segunda a sexta, às 18h | Foto: Divulgação

iG: Quem são seus ídolos na música?

Pathy Dejesus: Meu ídolo máximo é o Joge Ben. Se você me perguntar ‘o que você escuta todos os dias?’ a resposta é ele. Independente do som que eu toco, consumo, compro, Jorge Ben Jor, Stevie Wonder, Earth Wind & Fire e a Mary J. Blige, que é minha musa inspiradora, vão sempre estar no meio.

iG: Como VJ você terá a oportunidade de entrevistar muita gente importante da música. Tem alguma entrevista dos sonhos?

Pathy Dejesus: Eu sou tão ansiosa que nem me permito pensar nisso. Só de pensar já fico com frio na barriga e tremedeira (risos). Se o Michael estivesse vivo eu ia dar cambalhotas e dormir na porta do hotel pra conseguir a entrevista. Mas atualmente eu diria a Beyoncé (risos). Ela pode falar o que quiser, eu vou só ficar ouvindo.

iG: O que você tem de diferente dos outros VJs da casa?

Pathy Dejesus: Se tratando de mulheres, acho que todas que passaram pelo Top 10 e Disk se tornaram musas. Até mesmo a Ellen Jabour, recentemente. Ao mesmo tempo que isso é bacana, fica uma coisa de mulher “inatingível” e eu não sou assim perfeita. As pessoas me falam que eu sou linda, mas eu sou muito povão. Eu falo besteira, falo alto, às vezes escapa um palavrão (risos). Eu sou muito menina. Essa minha simplicidade vai ser um ponto positivo. Ao mesmo tempo que não sou intocável. Eu posso ser um ídolo atingível e isso falta.

iG: Além de VJ, você também é DJ. Quais são as músicas que nunca faltam no seu set?

Pathy Dejesus: O Kendrick Lamar fez um disco incrível ano passado e “Real” tem uma das letras de rap mais incríveis que ouvi na vida. Nos meus sets eu misturo muita coisa, desde hip hop até influências dos anos 1970, Jorge Ben, samba. Também gosto de tocar Jay Z com Kanye West, ”Niggas In Paris”. E gosto muito do Criolo.

iG: Em toda sua história a MTV Brasil teve apenas uma VJ mulher negra, a Adriana Lessa, em 1993. Você sempre diz em suas entrevistas que tem que mostrar mais trabalho por ser uma mulher negra. No ano de 2013, você acha que ainda existe essa necessidade de se impor?

Pathy Dejesus: Não lembro do programa da Adriana, mas por terem colocado uma mulher negra pra apresentar o carro chefe da emissora, vejo isso como uma conquista e não tem como deixar passar. Eu sempre conto que meu pai me colocou cedo pra trabalhar, mesmo não precisando, para me ensinar o valor do trabalho e cresci enxergando assim. Vim preparada para o “não”, mas isso eu já tenho. Se eu quiser fazer diferente, vou ter que dar a cara. Foi por isso que me formei em Publicidade e depois fui ser modelo. Na época, eu era a única garota com menos de 1,75m, mas consegui e isso tem a ver com a minha personalidade. Depois fui atuar e me diziam que eu só faria papel de empregada, mas eu nunca fiz uma empregada, pra você ver como eu venho quebrando barreiras. Também fui a primeira negra a fazer campanha de xampú no Brasil. Às vezes penso que vim pra isso. Estou sempre preparada, porque se tiver uma brecha eu vou invadir.

As informações são do repórter Gustavo Abreu, do iG

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