“Foi uma entrega total e absoluta”, afirma Bianca Comparato sobre ‘A Menina Sem Qualidades’

Bianca Comparato, 27 anos, cara de boneca, olhar de mulher forte. Ela chega de mansinho, tem um sorriso difícil de resistir e logo te surpreende com a sua clareza de ver o mundo.  Ana tem 16 anos, jeito de moleca, é de poucos amigos e muitos livros. Gosta de correr para espairecer, é extremamente inteligente e observadora. O que as duas têm em comum?

A atriz Bianca Comparato foi escolhida pelo diretor Felipe Hirsch para dar vida a Ana, a protagonista da série ‘A Menina Sem Qualidades’, que estreia hoje, 27 de maio, na MTV Brasil. “Eu precisava de alguém com experiência, capaz de fazer um papel como esse, que ao mesmo tempo parecesse uma menina de 16 anos. A Bianca é uma das únicas pessoas que eu conheço, na verdade, eu acho que ela é a única que eu conheço”, explica o diretor. “Ela é a pessoa certa, com a experiência certa, capaz de perceber a complexidade desse projeto”.

Sem dúvida, o encontro de Bianca e Ana é desses que não acontecem por acaso. Dar vida a essa personagem, que pode passar despercebida pelos corredores da escola, mas é muito mais madura do que a maioria os seus colegas de classe, não é tarefa fácil.

Bianca não só aceitou o desafio, como interpretou Ana lindamente. “Conversando com o meu amigo Michel Melamed sobre minha preparação para essa série, quando eu disse que não tinha tido muito tempo pra me preparar, ele me respondeu que existe papéis que nós nos preparamos a vida inteira pra fazer. Eu acho que a Ana é esse caso. Foi uma entrega total e absoluta”, contou a atriz em entrevista ao site da MTV.

Conta um pouco sobre a Ana, como ela é, como ela vê a vida?

A Ana é uma adolescente de 16 anos que vive em São Paulo e estuda em um bom colégio. Tem uma vida abastada, tem acesso a livros, filmes, música.  É solitária, não é muito social, quase não tem amigos, não fala com ninguém no colégio.

Ela é extremamente inteligente, desafia os professores, é uma leitora ávida. É bastante observadora. Gosta de correr pra espairecer. Não é vaidosa, usa praticamente a mesma roupa a série inteira!

No fundo dessa carcaça ‘independente’, ela esconde um coração mole. Acho a Ana uma menina romântica em busca de um amor, de alguém que a entenda e a aceite. Acho que é isso, o resto só vendo a série pra descobrir.

 Como foi o seu processo de composição da personagem? 

Em termos de preparação propriamente dita não tivemos muito tempo. Eu li o livro da Julie Zeh um mês antes de começar a filmar. Estudei em casa sozinha e depois vim pra São Paulo pouco mais de uma semana antes de começar a filmar.

Durante 10 dias, tive ensaios com o elenco, com a Renata Melo e com o Felipe Hirsch. Fizemos muito trabalho de mesa, isto é, leituras de roteiros e discussões. A série aborda questões altamente filosóficas, então esse trabalho inicial foi muito importante para esclarecer e entender do que estávamos falando. Nós também fizemos trabalhos de grupo com a excelente fonoaudióloga, Babaia. Ela me ajudou muito na composição vocal da Ana. Eu sou do Rio e a personagem de São Paulo, então fizemos um trabalho de tirar meu sotaque carioca e dar um ar paulista pra minha voz.

Junto com a Renata fiz um trabalho corporal, nós criamos um corpo pra Ana. Ela é mais ‘largada’ do que eu, caminha de maneira mais pesada. Investigamos como ela corre também, descobrimos que não é de uma maneira atlética e sim mais como uma maneira de extravasar seus sentimentos. Criamos uma maneira especial de olhar, de baixo pra cima. Esse tempo com a Renata também foi crucial pra ganhar intimidade com o Rodrigo Pandolfo. Através de exercícios corporais nós exploramos a relação da Ana e do Alex. No final das filmagens eu gravei os OFFs. Pra essa etapa eu me preparei com a minha mãe, a fonoaudióloga Leila Mendes.

Conversando com o meu amigo Michel Melamed sobre minha preparação pra essa série, quando eu disse que não tinha tido muito tempo pra me preparar, ele me respondeu que existem papéis que nós nos preparamos a vida inteira pra fazer. Eu acho que a Ana é esse caso. Foi uma entrega total e absoluta.

Qual você acha que foi o maior desafio?  

Meu maior desafio foi encontrar a maneira que essa personagem fala. Ana é muito mais inteligente que eu! Ela atinge raciocínios e ideias bem avançadas. Essa destreza reflete na maneira que ela fala. Ela não verbaliza como os adolescentes ‘comuns’. Em vez de gírias ela cita Nietzsche. Eu demorei muito pra achar esse tom. O Felipe e a Babaia foram cruciais nessa busca. Sem eles eu não teria conseguido.

Quais os maiores aprendizados?

Nossa! Aprendi tanto, nem sei por onde começar a responder essa pergunta… Vamos lá, acho que o principal aprendizado foi a tranquilidade. Pode parecer contraditório, mas como eu tinha muito volume de trabalho, eu aprendi a ter foco. Esse foco me trouxe tranquilidade. E tranquilidade pra entrar em cena, te permite fazer qualquer coisa sem medo.

E como é essa experiência de interpretar alguém tão mais nova e também tão diferente de você?

Foi maravilhoso! Isso deixa a experiência mais desafiadora e me motiva a superar meus limites. Eu arrisquei bastante na composição, como você disse, ela é bem diferente de mim. Espero que convença o público!

Como foi trabalhar com o Felipe Hirsch e a Renata Melo?

Não tenho palavras… O Felipe e a Renata foram meus companheiros, me ajudaram, me desafiaram, me cuidaram. Sem eles eu não teria conseguido. O trabalho com o Felipe foi crucial. Ele é um grande diretor de ator, ele sabe exatamente o que te dizer na hora certa. Nunca me senti tão entregue na mão de um diretor. Confio nele completamente.

Espero repetir essa parceria com eles. Eu gostei muito mesmo. Só tenho a agradecê-los por tudo.

 A série tem cenas muito fortes e intensas suas com o Rodrigo Pandolfo e também com o Javier Drolas, como foi essa experiência com os dois?

Que sorte que eu tive! A experiência foi maravilhosa! Eles são grandes atores, parceiros generosos e dois príncipes! Eles são de uma gentileza e delicadeza comigo que nem sei… Minha primeira cena com o Javier foi a mais tórrida do roteiro, a gente até brincou no final “acho que quebramos o gelo, né?” risos

Eu e o Pandolfo nos tornamos grandes amigos. Essa experiência só serviu pra nos aproximar. Acredito que nós três nos entregamos de corpo e alma, então, mesmo nas cenas mais intensas e fortes, o nosso trabalho fluiu.

Qual você acha que é a importância dessa série, nesse momento, no Brasil? Você acha que ela de fato vai trazer questões para o debate?

Acho os temas dessa série importantes em qualquer lugar do mundo. É tão raro encontrar textos que discutam o momento presente, ‘A Menina Sem Qualidades’ consegue falar da condição atual da juventude. É uma obra que não tem a pretensão de definir nada, apenas coloca em discussão, contesta, faz pensar. O questionamento principal, e que eu acho que o público aqui no Brasil vai se identificar, são com as perguntas morais que a série levanta. Será o que sistema jurídico não está ultrapassado? Será que as leis atuais ainda servem pra nossa o sociedade, não estaria na hora de um reforma? O que é errado, proibido? Certo, bom, mal? Talvez alguns paradigmas tenham mudado, é essa nova geração venha pra nos mostrar isso, eles seriam os primeiros, os desbravadores.

A Ana tem uma fala que eu gosto muito, que tem a ver com isso que estamos falando: “O homem ideal de nossa sociedade é um ser moral espiritual, que não faz uso de sua liberdade. Eu faço parte de um grupo de pessoas que se afastou dos fundamentos desse sistema.” É mais ou menos isso…

Qual foi a sensação quando acabaram as gravações?

Sensação de missão comprida, mas um vazio também. Foram sete semanas intensas, me envolvi com todos da equipe, então bateu uma saudade imediata. Me despedir da Ana também foi doloroso, mas depois veio um alívio e um orgulho de ter participado de um projeto tão especial como esse.

 E agora? Novos projetos vindo por aí? 

No momento estou em cartaz com o filme ‘Somos Tão Jovens’, sobre a juventude de Renato Russo e logo teremos novidades. Aguardem!

Mariana Caldas/MTV

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