Após final de gravações, ex VJs falam sobre legado da MTV

“O legado da MTV é, em primeiro lugar, a linguagem. Era autêntica, tinha um papo reto com a audiência, não mostrava só o lado bonito do apresentador. Antes, só existia o padrão Globo, não podia engasgar, dizer no ar que não sabia que o perguntar para o artista”, avalia Didi Wagner, VJ de 1999 a 2006, quando foi para o Multishow, onde ainda permanece.

Apresentadora com mais tempo contínuo no ar na MTV, entre 1995 e 2011, Marina Person, atualmente na TV Cultura e Canal Brasil, identifica o impacto da emissora no País. “Nossa, teve cópia de tudo. Começou com o Esporte Espetacular, colocando reportagens com música, fazendo edições ágeis e com linguagem descolada. Todos os canais começaram a fazer coisas parecidas.”

Um dos formatos da MTV norte-americana que se consolidou no Brasil foram os acústicos. “Como programa, ninguém copiou, mas está cheio de artista com discos acústicos lançados por aí”, relembra Zico Goes, atual diretor de programação, que entrou no canal em 1992, saiu em 2008, mas retornou em 2011, após passar pelo GNT.

Zico, que ajudou a criar dezenas de atrações, enumera parte das que ganharam sobrevida em outras emissoras. “Tivemos o Pé na Cozinha (1998), em que a Astrid Fontenelle fazia entrevistas numa cozinha. Ninguém ousava. Hoje, até o Ronnie Von faz.”

Em 1999, quando foi para a Band após nove anos na MTV, Astrid teve um quadro idêntico. “Não que seu seja insubstituível, mas levei porque era eu. E foi feito com autorização. O próprio artista cozinhava. Às vezes, dava errado, não era com um chef”, disse ao Estado. Hoje, ela está à frente do Saia Justa, no GNT, canal onde mediou conversas ao vivo no Happy Hour, quase uma década depois de ficar craque no ofício, no Barraco MTV.

“Tivemos o Copa na Mesa (1994), um formato bastante copiado, em que levávamos gente que não era do futebol falando do esporte. Essa mesa de hologramas do Tiago Leifert, nós fizemos com futebol de botão. A falta de recursos nos fazia criativos. A gente fez a MTV rebolar”, diz Astrid.

Responsável por anunciar Garota de Ipanema cantada por Marina Lima, primeiro clipe exibido, Astrid voltará à emissora para apresentar o último, que desconhece. “É triste, mas a MTV continua, de outro jeito com outro tipo de conteúdo. O mundo mudou, mas talvez não tenha mudado para melhor dentro da TV para jovem. Fizemos nossa parte, nossa história. Fico orgulhosa de ter feito. Assumi a responsabilidade de apagar a luz porque não quero que fiquem com esse estigma de que apagou a luz da MTV. A luz da MTV continua a brilhar.”

 

Com Informações de ESTADÃO.

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